Ilha de Palmas e Ilha das Peças: história em Grumari

À primeira vista, a Ilha das Peças e a Ilha de Palmas parecem apenas dois pequenos pontos verdes diante da Praia de Grumari. No entanto, quando observadas com mais atenção, elas revelam uma parte importante da história marítima, ambiental e cultural da Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Localizadas diante de um dos trechos mais preservados do litoral carioca, próximas à Prainha, a Grumari e às praias selvagens de Barra de Guaratiba, essas ilhas fazem parte de uma paisagem que resistiu à urbanização intensa de grande parte da cidade. Além disso, seus costões rochosos funcionam como abrigo, área de alimentação e ponto de passagem para inúmeras espécies marinhas.

Para quem pratica canoa havaiana, a região também possui um significado especial. Partindo da Pedra do Pontal, no Recreio dos Bandeirantes, remadores experientes podem navegar pela costa da Prainha e de Grumari até alcançar as duas ilhas. Esse percurso combina beleza, exigência técnica, leitura do oceano e profundo respeito pela natureza. Por isso, a Ilha de Palmas aparece em algumas travessias realizadas pela Bravus Va’a, incluindo a expedição em direção à Restinga da Marambaia.

Neste artigo, você conhecerá a localização das ilhas, as diferenças entre elas, sua história documentada, a origem de seus nomes, a importância ecológica da região e os cuidados necessários para uma aproximação segura e responsável de canoa havaiana.

Onde ficam a Ilha de Palmas e a Ilha das Peças?

A Ilha das Peças e a Ilha de Palmas ficam no oceano Atlântico, diante da Praia de Grumari, na Zona Oeste do município do Rio de Janeiro. Elas integram o conjunto de ilhas costeiras situado entre o Pontal do Recreio e a região da Praia Funda, já próxima a Barra de Guaratiba.

Embora sejam frequentemente citadas juntas, as duas ilhas apresentam dimensões e formas bastante diferentes. A Ilha das Peças é a menor e a mais próxima do continente. Vista de Grumari, ela aparece como uma elevação baixa, compacta e coberta por vegetação. A Ilha de Palmas, por sua vez, está mais afastada, possui volume muito maior e se destaca como uma pequena montanha emergindo do mar.

Levantamentos divulgados pelo Projeto Ilhas do Rio indicam que a Ilha das Peças fica a aproximadamente 600 metros da costa e possui extensão comparável a cerca de dois campos de futebol. A Ilha de Palmas está menos de um quilômetro além dela e teria área próxima de dez vezes a da irmã menor. Esses números são aproximados, porém ajudam a compreender por que Palmas domina a paisagem quando observada do alto dos mirantes de Grumari.

Qual ilha aparece primeiro para quem vem do Recreio?

Para quem navega a partir da Pedra do Pontal em direção a Grumari e Barra de Guaratiba, a Ilha das Peças normalmente surge primeiro no campo visual, mais próxima da linha da praia. Em seguida, a Ilha de Palmas aparece atrás e mais ao largo. Entretanto, a percepção de distância pode mudar bastante conforme o ângulo de navegação, a altura das ondas e a visibilidade.

Essa diferença de posicionamento é importante para o planejamento de uma travessia. Afinal, uma ilha visível da praia pode parecer muito próxima, mas a distância real, a corrente lateral, a ondulação e o vento podem aumentar significativamente o esforço necessário para alcançá-la.

A história das ilhas começa antes do turismo

Não existe, nas fontes públicas mais acessíveis, uma cronologia detalhada de ocupação humana permanente da Ilha das Peças ou da Ilha de Palmas. Portanto, sua história documentada está mais ligada à navegação costeira, à pesca artesanal, à cartografia, à paisagem de Grumari e, posteriormente, à preservação ambiental.

Durante séculos, o litoral da Zona Oeste foi utilizado por povos indígenas, pescadores e comunidades rurais que dependiam dos caminhos terrestres e marítimos. Muito antes da abertura das avenidas modernas, o mar era uma das principais vias de deslocamento entre Guaratiba, Jacarepaguá e o centro do Rio de Janeiro.

O plano de manejo dos Parques Naturais Municipais da Prainha e de Grumari registra que, antes da implantação do ramal ferroviário de Santa Cruz, em 1890, Grumari teve importância como ponto de escoamento da produção agrícola regional. Pequenas embarcações transportavam café, farinha de mandioca e peixe salgado em direção à área central da cidade e retornavam com sal, tecidos, louças, ferramentas e outros produtos manufaturados.

Nesse cenário, é razoável compreender as ilhas como referências naturais para a navegação local. Mesmo sem faróis ou construções permanentes, formações tão visíveis serviam como marcos para pescadores e navegadores que precisavam reconhecer a costa, interpretar o estado do mar e localizar áreas tradicionais de pesca.

Além disso, a pesca artesanal sempre teve relação direta com os costões rochosos. Ao redor das ilhas, diferentes profundidades, pedras submersas e ambientes de fundo criam áreas de abrigo e alimentação para peixes. Assim, a história das ilhas não pode ser separada da história das comunidades pesqueiras de Grumari, Recreio, Pedra de Guaratiba e Barra de Guaratiba.

Ilha de Palmas também já foi chamada de Ilha Urupira

Um dos detalhes mais interessantes da história local é o antigo nome da Ilha de Palmas. Estudos de toponímia carioca registram que a maior ilha oceânica do grupo de Guaratiba era conhecida por povos indígenas como Urupira. O nome aparece em cartas antigas e também é utilizado em documentos ambientais atuais como “Ilha Urupira, ou Ilha de Palmas”.

Esse registro é importante porque preserva uma camada da memória indígena da região. Muitos acidentes geográficos do Rio de Janeiro receberam novos nomes ao longo do processo de ocupação colonial, enquanto suas denominações originárias foram sendo esquecidas ou substituídas.

Já a origem exata do nome “Ilha das Peças” não aparece de forma conclusiva nas fontes oficiais consultadas. Existem interpretações populares, mas não seria responsável apresentá-las como fato histórico sem documentação confiável. Portanto, o mais correto é reconhecer que o nome se consolidou na cartografia e no uso local, embora sua explicação permaneça pouco documentada.

A transformação de Grumari e a luta pela preservação

No século XIX, a região de Grumari era formada por grandes propriedades rurais, pequenos sítios, plantações de café, mandioca, frutas e lavouras de subsistência. Posteriormente, os bananais ganharam espaço nas encostas e permaneceram como uma marca da paisagem rural da Zona Oeste.

Durante as décadas de 1950 e 1960, surgiram projetos de loteamento que pretendiam transformar a área em uma cidade balneária. Foram planejadas ruas, avenidas e glebas residenciais em meio a uma das áreas de restinga e Mata Atlântica mais importantes do município. Contudo, parte desses projetos não avançou, e o processo de loteamento acabou sendo extinto na década de 1970.

A abertura da Avenida Estado da Guanabara, por volta de 1970, facilitou o acesso entre o Recreio dos Bandeirantes e Barra de Guaratiba. Consequentemente, Prainha e Grumari passaram a receber mais banhistas, surfistas e visitantes. Ao mesmo tempo, a valorização turística e imobiliária aumentou a pressão sobre a paisagem.

Foi nesse contexto que movimentos comunitários, surfistas, ambientalistas e órgãos públicos começaram a defender uma proteção mais efetiva da região. As ilhas de Palmas e Peças foram incluídas nesse esforço porque não são elementos isolados: elas compõem visual e ecologicamente o anfiteatro natural de Grumari.

Linha do tempo da proteção ambiental das ilhas

1985: tombamento do conjunto paisagístico

Em 11 de abril de 1985, a Resolução nº 11 do Conselho Estadual de Tombamento reconheceu o valor do conjunto formado pela baixada de Grumari, praias, morros, ilhas e ilhotas. A descrição do tombamento incluiu expressamente a Ilha das Peças, a Ilha de Palmas e sua ilhota adjacente.

Esse reconhecimento foi decisivo porque tratou a paisagem como um conjunto integrado. Em outras palavras, não bastava preservar apenas a faixa de areia: era necessário proteger também as encostas, a vegetação, os costões e as ilhas visíveis no horizonte.

1986: criação da Área de Proteção Ambiental de Grumari

No ano seguinte, a Lei Municipal nº 944 criou a Área de Proteção Ambiental de Grumari. A medida estabeleceu uma base legal para controlar o uso e a ocupação do solo, além de limitar empreendimentos incompatíveis com a preservação da região.

1990 e 1992: preservação permanente e patrimônio paisagístico

Em 1990, Grumari foi reconhecida pela Lei Orgânica Municipal como Área de Preservação Permanente. Em 1992, a região passou a integrar formalmente o patrimônio paisagístico municipal sujeito à proteção ambiental, e a APA recebeu um zoneamento específico.

2001: criação do Parque Natural Municipal de Grumari

Em 2001, foi criado o Parque Natural Municipal de Grumari, com mais de 800 hectares. O parque protege um dos últimos grandes remanescentes de restinga da cidade, além de áreas de Mata Atlântica, brejos, praias, costões rochosos e ambientes associados.

Atualmente, a Ilha das Peças e a Ilha de Palmas são tratadas como áreas de especial interesse ecológico na zona de amortecimento dos Parques Naturais Municipais da Prainha e de Grumari. Isso significa que as atividades realizadas no entorno precisam considerar seus efeitos sobre os ecossistemas protegidos.

2024: inclusão no Hope Spot da Mission Blue

Em 2024, as ilhas foram incluídas na ampliação do Hope Spot das Ilhas Cagarras e Águas do Entorno, iniciativa internacional da Mission Blue. A área reconhecida como “Ponto de Esperança” passou de 17 mil para 57 mil hectares, alcançando grande parte do litoral da Zona Oeste.

O título não transforma automaticamente toda a região em uma unidade de conservação com regras próprias. Entretanto, amplia sua visibilidade, estimula pesquisas e fortalece a mobilização por medidas mais eficazes de proteção.

2025: pesquisas e propostas de ordenamento

Em 2025, o Projeto Ilhas do Rio coordenou encontros com órgãos públicos, pesquisadores, pescadores artesanais, representantes do turismo e organizações da sociedade civil. O objetivo foi mapear os usos do território e propor medidas para reduzir impactos causados pela pesca irregular e pelo turismo desordenado.

Esse processo demonstra que a história das ilhas continua sendo escrita. Hoje, o principal debate não é sobre construir nelas, mas sobre como permitir atividades tradicionais, pesquisa, turismo e esporte sem comprometer a biodiversidade.

Por que a biodiversidade das ilhas é tão importante?

Acima da linha d’água, as ilhas apresentam vegetação adaptada ao vento, à salinidade e à pouca disponibilidade de solo. Seus paredões e trechos rochosos também oferecem locais de repouso e nidificação para aves marinhas, incluindo atobás.

Entretanto, grande parte da riqueza está escondida sob o mar. Os costões rochosos funcionam como verdadeiros condomínios submarinos. Fendas, lajes, paredes verticais e blocos de pedra oferecem abrigo para peixes, moluscos, crustáceos, equinodermos e organismos fixos.

Levantamentos iniciados em 2024 pelo Projeto Ilhas do Rio registraram pelo menos 102 espécies de peixes recifais nas ilhas de Peças e Palmas. Entre elas, aparecem espécies endêmicas da província brasileira, como o gobi-barbeiro, o papagaio-cinza e o papagaio-vermelho.

Também foram catalogadas dezenas de espécies importantes para a pesca, incluindo garoupas, corvinas, sargos, robalos e xaréus. Além disso, pesquisadores registraram polvos, lagostas, coral-cérebro, estrelas-do-mar e o ameaçado ouriço-lilás. Até o início de 2025, o levantamento de organismos associados ao fundo e aos costões já ultrapassava 140 espécies.

Por essa razão, não se deve olhar para as ilhas apenas como locais bonitos para fotografar ou desembarcar. A pressão excessiva de embarcações, fundeio inadequado, lixo, coleta de animais, pesca predatória e pisoteio pode afetar ambientes que levaram muitos anos para se formar.

Ilha das Peças: pequena no tamanho, grande na navegação

A Ilha das Peças é a menor das duas, mas não deve ser subestimada. Sua proximidade com Grumari faz com que muitos visitantes tenham a impressão de que a travessia é simples. Contudo, o trecho entre a praia e a ilha está sujeito a ondulação, corrente, bancos rasos e mudanças rápidas de vento.

O plano de manejo da região indica que a isóbata de 10 metros passa por trás da Ilha das Peças. Em termos simples, isso mostra que o relevo submarino varia rapidamente nas proximidades. Para o remador, essas mudanças de profundidade podem alterar a formação das ondas, especialmente quando existe swell chegando do quadrante sul.

Além disso, a costa rochosa oferece poucos pontos realmente confortáveis para aproximação. Uma área que parece abrigada vista de longe pode apresentar pedras submersas, refluxo e ondas refletidas no costão. Portanto, qualquer tentativa de desembarque precisa ser avaliada por pessoas experientes e, muitas vezes, a decisão mais segura e sustentável é apenas contornar a ilha mantendo distância.

Ilha de Palmas: a antiga Urupira diante de Grumari

A Ilha de Palmas é mais alta, mais extensa e mais exposta ao oceano. Seu perfil montanhoso é facilmente reconhecido de Grumari, dos mirantes da Avenida Estado da Guanabara e das canoas que navegam pela costa.

Documentos técnicos indicam que a isóbata de 20 metros contorna a ilha, evidenciando um entorno mais profundo do que o da Ilha das Peças. Isso ajuda a explicar a presença de costões com grande diversidade marinha e também a maior exposição às ondas oceânicas.

Palmas é frequentemente utilizada como referência em travessias de canoa havaiana que seguem para oeste. Na Travessia de Canoa Havaiana para a Restinga da Marambaia, promovida pela Bravus Va’a, a ilha aparece como uma das primeiras grandes referências da rota após a saída da Pedra do Pontal.

Porém, chegar até Palmas não é o mesmo que realizar um passeio curto em águas protegidas. O remador já terá ultrapassado o Pontal, navegado diante da Prainha e enfrentado a longa faixa de Grumari. Dependendo das condições, a volta pode ocorrer com vento contrário, ondulação lateral ou corrente desfavorável. Por isso, a rota exige preparo físico, coordenação de equipe e planejamento.

Como é a remada até as ilhas saindo do Pontal?

A Pedra do Pontal, no Recreio dos Bandeirantes, é uma das melhores bases para acessar esse trecho do litoral de canoa havaiana. A partir dali, a equipe deixa a Praia do Recreio, contorna o Pontal e segue em direção à Praia da Macumba, ao Roncador, à Prainha e a Grumari.

O cenário muda progressivamente. A urbanização fica para trás, os morros cobertos por Mata Atlântica se aproximam da linha d’água e o remador passa a observar uma costa mais selvagem. Ao mesmo tempo, aumenta a necessidade de leitura do mar, pois existem costões sem pontos fáceis de desembarque.

Em condições favoráveis, a navegação pode ser fluida e contemplativa. Entretanto, vento de sudoeste, ondulação de sul, maré, corrente e ressaca podem tornar o percurso muito mais exigente. Consequentemente, uma equipe não deve decidir a saída apenas olhando o mar em frente à base. É necessário avaliar a previsão para todo o trajeto e, principalmente, para o horário estimado de retorno.

É uma travessia indicada para iniciantes?

Não. A aproximação às ilhas saindo do Pontal é uma atividade de mar aberto. Mesmo quando o oceano parece calmo, o grupo precisa ter capacidade para lidar com mudanças de condição, embarque e desembarque em praia com ondas, eventual entrada de água, falha de equipamento e necessidade de retorno prolongado.

Na base do Pontal da Bravus Va’a, é obrigatório saber nadar bem, justamente porque as aulas acontecem em uma praia oceânica com arrebentação. Para entender melhor essa diferença, leia o artigo “Precisa saber nadar para fazer canoa havaiana?”.

Quem nunca remou deve começar por uma aula experimental de canoa havaiana no Recreio ou pelas águas abrigadas da Barra da Tijuca. Em seguida, com frequência, formação técnica e adaptação ao oceano, poderá evoluir para treinos costeiros e travessias mais longas.

Principais riscos na navegação até Palmas e Peças

Ondulação e ondas refletidas

Ondas que atingem costões rochosos podem refletir e cruzar com a ondulação principal, formando um mar irregular. Esse efeito dificulta o equilíbrio da canoa e exige atenção redobrada do leme.

Pedras submersas

Ao redor das ilhas, algumas pedras não são visíveis durante a passagem das ondas. Uma aproximação excessiva pode causar danos ao casco, ao ama ou ao iako, além de colocar os remadores em risco.

Vento contrário na volta

É comum que o vento aumente ao longo da manhã. Assim, uma ida confortável pode ser seguida por um retorno lento e desgastante. O capitão precisa considerar a capacidade do remador mais fraco da equipe, e não apenas o desempenho dos mais fortes.

Poucos pontos de saída

Entre Prainha, Grumari e as praias selvagens existem longos trechos de costão. Em algumas condições, não é possível encostar com segurança. Portanto, o grupo precisa ter autonomia para completar o percurso ou executar um plano de contingência previamente definido.

Mudança rápida do tempo

Nebulosidade, chuva, rajadas e redução de visibilidade podem surgir rapidamente. O planejamento deve incluir previsão meteorológica, estado do mar, comunicação, hidratação, alimentação, proteção solar e equipamento de segurança.

Boas práticas ambientais ao visitar as ilhas

A canoa havaiana pode ser uma ferramenta extraordinária de contato com a natureza, desde que a visita seja realizada com mínimo impacto. Por isso, alguns cuidados são indispensáveis:

  • não descarte lixo, restos de alimento, linhas ou embalagens no mar;
  • não retire pedras, conchas, plantas ou animais;
  • evite desembarcar em áreas de nidificação de aves;
  • mantenha distância de animais marinhos e nunca tente tocá-los;
  • não alimente aves, peixes, tartarugas ou mamíferos;
  • não faça fogo nas ilhas;
  • evite ruído excessivo próximo aos costões;
  • respeite pescadores artesanais, áreas de pesquisa e eventuais regras de ordenamento;
  • leve de volta tudo o que foi levado para a travessia;
  • sempre prefira observar a paisagem sem transformar a chegada em ocupação.

Além disso, é importante compreender que “chegar à ilha” não precisa significar pisar nela. Em muitos casos, o melhor passeio é fazer um contorno seguro, observar a fauna e retornar sem desembarque. Essa escolha reduz riscos para os remadores e impactos sobre o ambiente.

Qual é a melhor época para remar até as ilhas?

Não existe um mês universalmente perfeito. Na navegação oceânica, a janela de condição vale mais do que a estação do ano. Um dia de inverno pode apresentar mar calmo e excelente visibilidade, enquanto uma manhã de verão pode ter vento forte, ressaca ou tempestades.

De maneira geral, saídas cedo costumam oferecer menor aquecimento e, em muitos dias, vento mais fraco. Porém, isso não é uma garantia. O grupo deve analisar a previsão de ondas, direção do swell, período, vento, rajadas, chuva, maré e evolução das condições durante toda a atividade.

Para travessias organizadas, a Bravus Va’a acompanha as condições e pode alterar, adiar ou cancelar a atividade quando o cenário não oferece segurança adequada. Essa decisão faz parte da formação técnica do remador: respeitar o mar também significa saber não sair.

Por que conhecer Palmas e Peças de canoa havaiana?

Observar essas ilhas a partir da areia é bonito. Entretanto, aproximar-se delas impulsionado apenas pela força coordenada dos remadores cria outra percepção de distância, paisagem e pertencimento.

A canoa polinésia ensina que ninguém atravessa o oceano sozinho. O banco um depende do banco seis, o ritmo precisa ser compartilhado e a eficiência nasce da harmonia. Essa lógica combina perfeitamente com uma região que exige cooperação, prudência e respeito ambiental.

Além disso, a navegação permite compreender fisicamente a geografia da Zona Oeste. A Pedra do Pontal deixa de ser apenas um cartão-postal, a Prainha revela seus costões, Grumari mostra sua extensão real e as ilhas passam de pequenos pontos no horizonte a formações vivas, cercadas por aves, peixes, correntes e ondas.

Essa experiência também aproxima o remador da tradição polinésia. Povos do Pacífico desenvolveram conhecimento profundo sobre vento, ondulação, estrelas, aves e correntes. Embora hoje existam previsões, GPS e equipamentos modernos, a essência continua sendo observar o ambiente e navegar de forma coletiva. Conheça mais no artigo História e cultura da canoa polinésia.

Como a Bravus Va’a prepara remadores para esse tipo de travessia?

A Bravus Va’a mantém atividades na Barra da Tijuca e no Pontal do Recreio, oferecendo caminhos diferentes para quem deseja entrar no esporte. Na Lagoa de Marapendi, o aluno encontra um ambiente abrigado, ideal para aprender postura, pegada, sincronismo e fundamentos da remada. Já no Pontal, o remador evolui no contato com ondas, vento, corrente e dinâmica de praia oceânica.

Com a prática regular, os alunos desenvolvem resistência, técnica, leitura do mar, disciplina e espírito de equipe. Somente depois dessa formação é que travessias mais longas passam a fazer sentido. Dessa maneira, a aventura deixa de ser improviso e se transforma em experiência planejada.

Entre as atividades da Bravus estão aulas, treinos técnicos, passeios, eventos, travessias e expedições. A rota em direção à Restinga da Marambaia, por exemplo, passa pela região de Palmas e Peças e apresenta ao remador um dos trechos costeiros mais impressionantes do Rio de Janeiro.

Antes de pensar em uma travessia oceânica, consulte também o guia Como se preparar para sua primeira aula de canoa havaiana.

Ilhas de Palmas e Peças: patrimônio que precisa permanecer vivo

A história da Ilha de Palmas e da Ilha das Peças não é marcada por palácios, fortalezas ou grandes construções. Seu valor está justamente no oposto: elas permaneceram relativamente livres de ocupação permanente e continuam fazendo parte de uma paisagem rara dentro de uma metrópole.

Elas guardam memória indígena, referências da navegação tradicional, relação com a pesca artesanal, biodiversidade marinha e décadas de mobilização ambiental. Ao mesmo tempo, enfrentam novos desafios causados pelo turismo desordenado, pela pesca irregular, pelo lixo e pela falta de proteção marinha mais efetiva.

Portanto, conhecer essas ilhas deve significar também assumir responsabilidade por elas. O visitante consciente observa, aprende e deixa o menor rastro possível. O remador responsável compreende que segurança e preservação não diminuem a aventura; ao contrário, dão sentido a ela.

Comece sua jornada na canoa havaiana com a Bravus Va’a

Deseja conhecer o litoral da Zona Oeste por um novo ângulo? Agende uma aula experimental na Bravus Va’a e aprenda os fundamentos da canoa polinésia com orientação técnica, equipamentos adequados e foco em segurança.

Você pode começar nas águas abrigadas da Barra da Tijuca ou viver a experiência oceânica do Pontal do Recreio. Com treinamento e evolução, poderá participar de passeios, eventos e travessias por cenários como Prainha, Grumari, Ilha das Peças, Ilha de Palmas e Restinga da Marambaia.

Conheça as atividades da Bravus Va’a e agende sua aula experimental.

Perguntas frequentes sobre a Ilha de Palmas e a Ilha das Peças

Onde ficam a Ilha de Palmas e a Ilha das Peças?

As duas ficam diante da Praia de Grumari, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, entre o Pontal do Recreio e a região das praias selvagens de Barra de Guaratiba.

Qual das duas ilhas fica mais perto da praia?

A Ilha das Peças é a mais próxima do continente. A Ilha de Palmas fica mais ao largo, atrás dela quando observada de determinados pontos de Grumari.

A Ilha de Palmas possui outro nome?

Sim. Registros históricos e documentos ambientais também a identificam como Ilha Urupira, antigo topônimo de origem indígena.

É possível chegar às ilhas nadando?

Não é uma prática recomendada. Apesar da aparente proximidade, existem correntes, ondas, mudanças de profundidade, tráfego de embarcações e grande exposição ao oceano. A aproximação deve ser feita com embarcação adequada e planejamento.

É possível chegar de canoa havaiana?

Sim, remadores experientes podem chegar à região saindo do Pontal do Recreio. Porém, trata-se de navegação em mar aberto e a atividade deve ser realizada por equipe preparada, com leme experiente, equipamentos de segurança e condições meteorológicas favoráveis.

Iniciantes podem participar dessa travessia?

Não é uma rota indicada para quem está começando. O ideal é realizar aulas regulares, desenvolver técnica, condicionamento e experiência no mar antes de participar de uma travessia longa.

É permitido desembarcar nas ilhas?

A possibilidade depende das condições do mar, das regras ambientais vigentes e do local de aproximação. Mesmo quando não existe proibição expressa, o desembarque pode ser perigoso e causar impacto sobre aves, vegetação e organismos costeiros. Frequentemente, o mais adequado é apenas contornar a ilha.

As ilhas fazem parte de uma área protegida?

Elas integram o conjunto paisagístico protegido de Grumari, estão na zona de amortecimento dos Parques Naturais Municipais da Prainha e de Grumari e, desde 2024, fazem parte da área ampliada do Hope Spot das Ilhas Cagarras e Águas do Entorno.

Qual é a distância da travessia saindo do Pontal?

A distância varia conforme a rota, o ponto de contorno e o objetivo da atividade. Uma ida até a região das ilhas já representa uma remada oceânica significativa. Quando integrada à travessia para a Restinga da Marambaia, o percurso total pode chegar a aproximadamente 30 quilômetros.

Qual é a melhor forma de conhecer a região com segurança?

A melhor opção é participar de uma atividade organizada por clube ou operação experiente, que avalie previsão do tempo, ondulação, vento, nível dos participantes, equipamentos e plano de contingência.

Fontes e referências