Volta à Ilha de Santo Amaro: desafios da tradicional prova de canoa havaiana

Volta à Ilha de Santo Amaro

A Volta à Ilha de Santo Amaro é uma das competições mais antigas, respeitadas e desejadas da canoa havaiana brasileira. Conhecida também pela sigla VISA, a prova reúne equipes de diferentes estados para percorrer aproximadamente 75 quilômetros ao redor da ilha onde está localizado o município de Guarujá, passando por mar aberto, áreas costeiras, Canal de Bertioga e região portuária de Santos.

Entretanto, reduzir a Volta à Ilha de Santo Amaro a uma corrida de longa distância seria ignorar boa parte de sua importância. A prova exige resistência física, técnica de remada, leitura de mar, navegação, logística, controle emocional e, sobretudo, um nível elevado de organização coletiva. Afinal, além dos seis atletas que remam na OC6, outros integrantes acompanham a canoa em uma embarcação de apoio e participam de um complexo sistema de revezamento.

Em 2026, a competição chegou à sua 22ª edição, após uma pausa em 2025. Foram 20 equipes representando estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Paraná, Bahia e Rio Grande do Sul. A vitória geral ficou com o Team Mahina, do Rio de Janeiro, que completou o percurso em 5h52min47s.

Neste artigo, você conhecerá a origem da prova, seu criador, o funcionamento do revezamento, os principais desafios do percurso, algumas das equipes que construíram sua história, as regras gerais de participação e a época do ano em que o evento costuma ser realizado.

O que é a Volta à Ilha de Santo Amaro?

A Volta à Ilha de Santo Amaro é uma competição de longa distância disputada principalmente em canoas havaianas de seis lugares, conhecidas como OC6. A largada e a chegada tradicionalmente acontecem na Praia da Aparecida, em Santos, geralmente em frente ao edifício Escolástica Rosa.

A partir da largada, as equipes seguem normalmente no sentido anti-horário, atravessando a Baía de Santos e avançando em direção ao litoral do Guarujá. Depois de enfrentarem aproximadamente 40 quilômetros de mar, os competidores entram no Canal de Bertioga, percorrem áreas de mangue, baixios e canais estreitos e, finalmente, passam pela região do Porto de Santos antes de retornarem ao ponto de partida.

Portanto, embora seja chamada de Volta à Ilha de Santo Amaro, a prova envolve diferentes ambientes e áreas da Baixada Santista. Cada trecho apresenta características próprias, fazendo com que a equipe precise alterar sua estratégia diversas vezes durante o percurso.

A competição é organizada historicamente pela Volta à Ilha de Santo Amaro e pela Canoa Brasil, com supervisão da Associação Brasileira de Canoa Havaiana — ABRACHA e apoio de órgãos municipais, entidades ligadas à segurança marítima, patrocinadores e parceiros locais.

A história da Volta à Ilha de Santo Amaro

Os registros públicos disponíveis situam a origem da prova no início dos anos 2000, aproximadamente em 2003. Em matérias publicadas por ocasião da 16ª edição, em 2019, a organização relatava que o projeto havia começado 16 anos antes. Já em 2024, durante a 21ª edição, Fábio Paiva mencionou os 21 anos de história da competição.

Essa cronologia mostra que a Volta à Ilha surgiu em um período no qual a canoa havaiana ainda estava dando seus primeiros passos no Brasil. Havia poucas canoas, poucos clubes, pouca informação técnica disponível e uma comunidade muito menor do que a atual.

Foi nesse cenário que o canoísta Fábio Paiva, fundador da Canoa Brasil e um dos pioneiros da modalidade no país, decidiu organizar um desafio que até então não existia no cenário nacional: contornar toda a Ilha de Santo Amaro em uma canoa de seis lugares, utilizando um sistema de revezamento com atletas entrando e saindo da canoa durante o percurso.

Quem criou a Volta à Ilha de Santo Amaro?

Fábio Paiva é reconhecido pelas fontes históricas como o idealizador e organizador da Volta à Ilha de Santo Amaro. Além de criar a competição, ele esteve diretamente envolvido na introdução, fabricação, divulgação e expansão das canoas havaianas no Brasil.

Santos teve papel fundamental nesse processo. A cidade recebeu algumas das primeiras iniciativas estruturadas da modalidade no país, incluindo fabricação de canoas, escolas, campeonatos e projetos sociais. Por esse motivo, Santos é frequentemente apontada como um dos principais berços da canoa havaiana brasileira.

A importância da cidade para o esporte tornou-se tão grande que Santos criou uma data municipal dedicada à modalidade. O Dia da Canoa Havaiana é celebrado oficialmente em 30 de março, no mesmo período em que a Volta à Ilha costuma ser realizada.

Uma inovação baseada no revezamento

Desde suas primeiras edições, uma das principais características da prova foi o revezamento de atletas com a canoa em movimento. Em vez de seis remadores permanecerem durante todos os 75 quilômetros dentro da OC6, a formação tradicional utiliza nove atletas.

Enquanto seis ocupam os bancos da canoa, três seguem em uma lancha ou barco de apoio. Em determinados pontos, os atletas que estão descansando entram na água e substituem três remadores da canoa.

A operação parece simples quando observada de longe. Na prática, porém, exige excelente comunicação entre o capitão da equipe, o responsável pela embarcação de apoio, o leme, os remadores que sairão e os atletas que entrarão.

Uma troca mal executada pode provocar perda de velocidade, colisões, afastamento excessivo da embarcação de apoio, entrada desorganizada na canoa ou até mesmo um huli. Por outro lado, uma equipe bem treinada consegue realizar o procedimento rapidamente, mantendo o deslocamento da OC6 e reduzindo o tempo perdido.

Como funciona o percurso de aproximadamente 75 quilômetros?

O percurso pode sofrer pequenos ajustes de acordo com a organização, as condições ambientais e as autorizações marítimas. Contudo, a estrutura tradicional da Volta à Ilha de Santo Amaro costuma ser mantida.

1. Largada na Praia da Aparecida

A concentração acontece na Praia da Aparecida, em Santos. Em várias edições, a largada foi realizada no chamado estilo Le Mans, no qual os remadores posicionam as canoas na areia ou em águas rasas e entram rapidamente na embarcação após o sinal de início.

Antes da largada, existe ainda a tradicional roda de energia, momento em que atletas, organizadores e apoiadores se reúnem para celebrar a coletividade, homenagear pessoas importantes para o esporte e desejar uma prova segura a todos.

2. Baía de Santos e aproximação do Guarujá

Os quilômetros iniciais costumam apresentar grande disputa de posições. As equipes estão descansadas, próximas umas das outras e tentando encontrar a melhor linha de navegação.

No entanto, acelerar excessivamente nessa fase pode custar caro mais tarde. Uma prova com duração de seis, sete ou oito horas exige controle de intensidade. Por isso, as equipes mais experientes evitam transformar os primeiros quilômetros em uma prova de sprint.

3. Mar aberto nas praias do Guarujá

Depois da saída da Baía de Santos, as equipes encontram o setor mais exposto ao oceano. São aproximadamente 40 quilômetros de mar, costeando diferentes praias e promontórios da Ilha de Santo Amaro.

Dependendo da direção do vento e da ondulação, esse trecho pode oferecer condições de downwind e ondas favoráveis para surfe. Entretanto, também pode apresentar mar cruzado, vento contrário, ondulação de sul e grande desgaste para a tripulação.

Nesse setor, o leme precisa combinar segurança e velocidade. Escolher uma linha excessivamente próxima das pedras pode reduzir a distância, mas aumentar os riscos. Por outro lado, remar muito afastado da costa pode expor a canoa a correntes e ondulações mais fortes.

4. Entrada no Canal de Bertioga

A aproximação do Canal de Bertioga marca uma mudança completa no perfil da prova. O mar aberto dá lugar a águas mais estreitas, manguezais, curvas, bancos de areia e áreas de baixio.

A maré pode favorecer ou prejudicar significativamente a velocidade. Quando a equipe encontra corrente contrária, o desgaste aumenta justamente em uma fase na qual os atletas já acumulam várias horas de esforço.

Além disso, a navegação precisa ser precisa. Um erro de linha pode levar a canoa para uma área rasa, reduzindo drasticamente sua velocidade ou obrigando os remadores a corrigirem o trajeto.

5. Porto de Santos e trecho final

A passagem pela região portuária adiciona mais uma camada de complexidade. O Porto de Santos possui tráfego de embarcações, canais de navegação, correntezas, estruturas portuárias e normas específicas de circulação.

Nesse momento, a fadiga física e mental já é elevada. Mesmo assim, o leme, o capitão e os atletas precisam manter atenção total até o retorno à Praia da Aparecida.

Por isso, a chegada é tão emocionante. Depois de contornar uma ilha, enfrentar mar, vento, corrente, calor, trocas e imprevistos, tocar a areia ou cruzar a linha final representa muito mais do que terminar uma corrida.

Por que a Volta à Ilha de Santo Amaro é tão difícil?

A distância de 75 quilômetros, por si só, já seria suficiente para transformar a competição em um grande desafio. Contudo, a dificuldade da VISA está principalmente na combinação de fatores.

Condições diferentes dentro da mesma prova

A equipe precisa apresentar bom desempenho em mar aberto, costeira, canal, baixios, corrente e área portuária. Uma formação excelente no downwind pode sofrer no canal. Da mesma forma, uma equipe acostumada a remar em lagoas e represas pode encontrar dificuldades nas ondas do Guarujá.

Duração prolongada

As equipes mais rápidas completam o percurso em menos de seis horas. Entretanto, muitas formações permanecem entre sete e oito horas em prova. Durante todo esse período, os atletas precisam controlar hidratação, alimentação, temperatura corporal, intensidade e recuperação entre os revezamentos.

Revezamento em movimento

Historicamente, as trocas podem ocorrer em intervalos aproximados de 10 a 30 minutos, dependendo da estratégia. Normalmente, três atletas saem e três entram. Entretanto, o plano precisa considerar o condicionamento de cada remador, as posições ocupadas, o nível técnico, a capacidade dos lemes e as condições de cada trecho.

O regulamento oficial de cada edição deve sempre ser consultado, pois procedimentos, áreas autorizadas para troca e exigências de segurança podem sofrer alterações.

Logística do barco de apoio

O barco de apoio não serve apenas para transportar os remadores que estão descansando. Ele leva água, alimentos, equipamentos, roupas, itens de primeiros socorros e materiais necessários para a operação.

Uma falha mecânica pode comprometer completamente a estratégia. Em 2016, por exemplo, a equipe Smiles Mauna Loa ficou sem sua embarcação de apoio ainda no início da prova. Os seis atletas que estavam na OC6 continuaram remando durante mais de sete horas, sem conseguir realizar os revezamentos programados.

Calor e exposição ambiental

Como a competição costuma ocorrer em março, o calor pode ser intenso. Na edição de 2024, os atletas enfrentaram temperaturas próximas de 35°C. Além disso, há exposição prolongada ao sol, vento, água salgada e variações de temperatura.

Consequentemente, alimentação, reposição de líquidos, eletrólitos, proteção solar e controle de intensidade são elementos essenciais do planejamento.

Quais são as regras para participar?

O regulamento pode mudar de uma edição para outra. Portanto, nenhuma equipe deve utilizar apenas regras de anos anteriores para organizar sua participação. O documento oficial publicado pela organização deve ser considerado a referência definitiva.

Entretanto, o formato tradicional apresenta algumas características recorrentes.

Equipe formada por nove remadores

Cada equipe costuma inscrever nove atletas. Seis remam na OC6, enquanto três acompanham a prova no barco de apoio e entram no sistema de revezamento.

Em algumas reportagens históricas, são mencionadas equipes com pessoas adicionais na logística, como piloto da lancha, auxiliar ou responsável técnico. Esses profissionais não devem ser confundidos com os nove remadores inscritos para competir.

Embarcação de apoio

A equipe deve contar com barco ou lancha de apoio compatível com as exigências do regulamento e das autoridades marítimas. A embarcação precisa transportar com segurança os atletas que estão fora da canoa e permitir a realização das trocas.

O responsável pela condução deve possuir habilitação adequada e conhecer as regras de navegação, aproximação e segurança. Afinal, conduzir uma lancha próxima a remadores dentro da água exige atenção e experiência.

Categorias

As categorias podem variar conforme a edição. Em 2026, a prova contou com:

  • Open masculina;
  • Open mista;
  • Máster 40+;
  • Máster 50+;
  • Máster 60+.

Em outras edições também houve categoria feminina. A composição da categoria mista tradicionalmente exige equilíbrio entre homens e mulheres na canoa, mas a formação exata deve ser confirmada no regulamento vigente.

Inscrição dentro do prazo

As inscrições costumam ser abertas com alguns meses de antecedência e divididas em lotes. Em 2026, por exemplo, o processo começou ainda em dezembro de 2025, com lotes posteriores disponíveis até fevereiro.

Como há limite de equipes, clubes interessados devem acompanhar o perfil oficial da Volta à Ilha de Santo Amaro e os canais divulgados pela organização.

Participação no briefing

O congresso técnico ou briefing apresenta informações essenciais sobre percurso, horário, navegação, procedimentos de troca, áreas de atenção, segurança, comunicação, chegada e possíveis penalidades.

O capitão, os lemes, a equipe de apoio e o piloto da lancha precisam compreender as orientações. Não basta enviar alguém ao briefing e esperar que as informações circulem informalmente poucas horas antes da largada.

Equipamentos e segurança

Coletes adequados, apitos, cabos, bailers, equipamentos de comunicação, itens de navegação e materiais de emergência podem ser exigidos pela organização ou pelas autoridades marítimas.

A equipe também deve revisar a canoa, o ama, os iakos, as amarrações, os remos e o barco de apoio. Uma prova de 75 quilômetros não é o lugar adequado para descobrir que uma peça estava danificada ou que a amarração nunca havia sido testada em mar aberto.

Em que época do ano a Volta à Ilha de Santo Amaro é realizada?

A Volta à Ilha de Santo Amaro é tradicionalmente realizada em um sábado do mês de março. A data exata muda a cada ano, provavelmente em razão de calendário municipal, marés, logística, autorizações e condições previstas para o evento.

Edição Ano Data ou período Destaque
13ª 2016 12 de março Vitória da Poseidon
14ª 2017 4 de março Samu Team Brazil estabeleceu novo recorde
15ª 2018 10 de março 33 equipes e vitória da Samu Team Brazil
16ª 2019 30 de março Recorde de 38 canoas na largada
17ª 2020 14 de março Samu Team Brazil conquistou o hexacampeonato
18ª 2021 Outubro Data excepcional por causa da pandemia
19ª 2022 26 de março Retorno ao calendário tradicional de março
20ª 2023 25 de março Vitória do Bertioga Paddle Club
21ª 2024 16 de março Vitória da Nova União
2025 2025 Não realizada Pausa no calendário
22ª 2026 14 de março Vitória do Team Mahina

Portanto, equipes interessadas devem começar a acompanhar as informações no segundo semestre do ano anterior. As inscrições, regulamentos e orientações logísticas normalmente são divulgados meses antes da largada.

Equipes que marcaram a história da Volta à Ilha

Ao longo de mais de duas décadas, dezenas de clubes e formações participaram da prova. Algumas equipes se tornaram especialmente importantes por causa de vitórias, recordes, regularidade ou histórias de superação.

Brucutus

A Brucutus, de Bertioga, ocupa uma posição única na história da competição. A equipe participou de todas as edições realizadas até 2026. Seu capitão, Everdan Riesco, é um dos pioneiros da canoa havaiana brasileira e esteve presente desde a primeira Volta à Ilha.

Além dos resultados esportivos, a equipe acumulou histórias marcantes, incluindo problemas com barco de apoio e até a necessidade de substituir uma canoa danificada durante uma edição.

TriboQPira

A TriboQPira aparece nos registros históricos como uma das grandes forças das primeiras fases da competição. Em 2018, a equipe já era apresentada como hexacampeã da Volta à Ilha.

Samu Team Brazil

A Samu Team Brazil dominou várias edições e conquistou seu hexacampeonato em 2020. Em 2018, o time venceu a 15ª edição com 5h41min12s, estabelecendo um dos grandes tempos da história da prova.

Poseidon

A Poseidon venceu a edição de 2016 com 6h16min16s. Naquele ano, a classificação também contou com YCP Koa Va’a, Matero, Floripa Va’a, ATR Hoe Mana, Brucutus, Bahia Va’a Salvador e equipes de diferentes regiões brasileiras.

Bertioga Paddle Club

O Bertioga Paddle Club conquistou o bicampeonato em 2023, completando a 20ª edição em 6h21min24s. A equipe terminou quase 30 minutos à frente da Brucutus, segunda colocada naquele ano.

Nova União

A equipe santista Nova União venceu a 21ª edição, em 2024, com o tempo de 6h05min38s. A prova foi marcada pelo calor intenso e contou com formações como Brucutus, Praia Vermelha Va’a Club, Kirymurê Litoral Norte, Zero13 Va’a, Canoa Para Todos, RM Paddle School, Vibe Ocean, Paddle Clube Barra, Niterói Hoe e Barra Va’a Team.

Team Mahina

Em 2026, o Team Mahina colocou o Rio de Janeiro no lugar mais alto do pódio. A equipe completou os 75 quilômetros em 5h52min47s, seguida pelo Bertioga Paddle 6, com 5h59min57s, e pela Brucutus, com 6h12min20s.

A classificação de 2026 também registrou equipes como Sul Va’a, Tribuzana, Supirados, RM Paddle School, Canoa Para Todos, Ventos Sul Va’a, Lōkahi, Barra Va’a e Caiçaras Va’a.

Participações internacionais

A Volta à Ilha também recebeu atletas estrangeiros. Em 2018, havia representantes do Chile, Argentina e Estados Unidos. No ano seguinte, a Pacíficos Va’a, do Chile, participou da largada histórica que reuniu 38 canoas.

Essa diversidade mostra que a competição ultrapassou sua dimensão regional e se tornou uma referência importante para equipes interessadas em provas de longa distância e revezamento.

Como uma equipe deve se preparar para a Volta à Ilha?

Uma preparação adequada não pode começar poucas semanas antes da prova. Embora cada equipe possua sua realidade, o processo deve ser progressivo e considerar condicionamento físico, técnica, logística e segurança.

Construção de resistência

Os remadores precisam desenvolver capacidade para sustentar intensidade durante vários blocos de esforço. Mesmo com revezamento, cada atleta pode acumular mais de 50 quilômetros de remada ao longo do dia.

Consequentemente, o treinamento deve incluir volume progressivo, remadas contínuas, treinos intervalados, desenvolvimento de força e sessões específicas para tolerar horas de exposição.

Treinos com a formação oficial

Não basta selecionar nove bons remadores individualmente. A equipe precisa remar junta, ajustar o ritmo, padronizar comandos e testar diferentes combinações.

Também é importante definir quem ocupa cada banco, quais atletas podem remar no leme e como serão organizados os blocos de revezamento.

Simulação das trocas

As trocas devem ser praticadas repetidamente em condições controladas antes de serem executadas em mar aberto. Os atletas precisam saber por qual lado entrar, como abordar a canoa, quando soltar o remo, onde posicionar o corpo e como evitar choques.

Treinamento do barco de apoio

O piloto e a equipe de apoio também precisam treinar. A aproximação correta, a leitura do vento, o posicionamento da lancha e a comunicação com a OC6 influenciam diretamente a segurança e o resultado.

Plano de hidratação e alimentação

Cada atleta deve testar previamente os alimentos, bebidas e suplementos que pretende consumir. Experimentar produtos novos durante uma prova de sete horas pode causar enjoo, desconforto gastrointestinal ou queda de desempenho.

Preparação para situações de emergência

A equipe deve saber realizar huli, resgate, esgotamento da canoa e retorno à navegação. Também precisa estabelecer procedimentos para quebra de remo, lesões, mal-estar, falha do barco de apoio e mudanças severas nas condições ambientais.

O que a Volta à Ilha ensina sobre formação de remadores?

A principal lição da prova é que uma equipe não é apenas a soma dos atletas mais fortes. Uma formação competitiva precisa de técnica, comunicação, disciplina, responsabilidade e confiança.

Esse princípio também está presente no trabalho desenvolvido pela Bravus Va’a. Nas aulas e treinamentos, os remadores evoluem progressivamente, começando pela aprendizagem técnica e pela compreensão dos comandos da canoa.

Na base da Barra da Tijuca, as águas mais protegidas da Lagoa de Marapendi oferecem um ambiente favorável para o desenvolvimento técnico, sincronização, correção dos movimentos e formação de novos remadores. Já no Pontal do Recreio, os alunos mais preparados têm contato com ondas, arrebentação, vento e condições de mar aberto.

Além das aulas regulares, as travessias e expedições de canoa havaiana da Bravus Va’a permitem que os remadores desenvolvam resistência, autonomia, espírito de equipe e experiência de navegação.

Atividades como a Travessia das Ilhas Tijucas, a Travessia da Restinga da Marambaia e outras remadas de longa distância ajudam a construir uma base importante para quem deseja, futuramente, participar de grandes desafios.

Entretanto, cada etapa precisa ser respeitada. Antes de pensar em uma prova de 75 quilômetros, o remador deve dominar a técnica, remar com segurança, compreender sua função dentro da OC6 e adquirir experiência progressiva no mar.

A importância cultural e esportiva da prova

A Volta à Ilha de Santo Amaro representa mais do que competição. A roda de energia, as homenagens, os projetos sociais e a cooperação entre equipes preservam elementos fundamentais da cultura do va’a.

Desde suas primeiras edições, o evento associou a participação a ações solidárias, incluindo arrecadação de alimentos para instituições assistenciais. Ao longo dos anos, a organização também homenageou atletas, jornalistas, pioneiros, colaboradores e projetos sociais ligados à canoagem.

Ao mesmo tempo, a competição fortalece o turismo esportivo na Baixada Santista. Atletas e familiares utilizam hotéis, restaurantes, transporte e serviços locais, enquanto as imagens das canoas navegando entre Santos, Guarujá e Bertioga divulgam a região para todo o Brasil.

Finalmente, a prova ajuda a preservar a memória da canoa havaiana brasileira. Em um esporte que cresceu rapidamente e nem sempre registrou adequadamente sua história, manter uma competição durante mais de duas décadas é um feito extraordinário.

Perguntas frequentes sobre a Volta à Ilha de Santo Amaro

Quantos quilômetros tem a Volta à Ilha de Santo Amaro?

O percurso possui aproximadamente 75 quilômetros. Em algumas divulgações aparecem distâncias entre 73 e 75 quilômetros, devido a pequenas variações de rota, linha navegada e medição.

Onde a prova começa?

A largada e a chegada costumam acontecer na Praia da Aparecida, em Santos, normalmente em frente ao Escolástica Rosa.

Quantos atletas participam em cada equipe?

O formato tradicional utiliza nove remadores. Seis permanecem na OC6 e três acompanham a prova no barco de apoio, entrando posteriormente no sistema de revezamento.

A troca acontece com a canoa parada?

Normalmente, não. Uma das características da prova é realizar as trocas com a canoa em movimento. Os atletas entram na água a partir do barco de apoio e substituem os remadores da OC6.

É obrigatório ter barco de apoio?

O formato tradicional depende de uma embarcação de apoio para transportar os remadores, alimentos, água e equipamentos. As especificações e exigências devem ser verificadas no regulamento oficial de cada edição.

Quando a Volta à Ilha acontece?

A prova normalmente é realizada em um sábado do mês de março. Houve exceções, como a edição de 2021, realizada em outubro devido à pandemia, e a pausa ocorrida em 2025.

Quem criou a Volta à Ilha de Santo Amaro?

A prova foi idealizada pelo canoísta Fábio Paiva, fundador da Canoa Brasil e um dos pioneiros da expansão da canoa havaiana no país.

Qual equipe participou de todas as edições?

A Brucutus, de Bertioga, é reconhecida como a única equipe presente em todas as edições realizadas até 2026.

Quem venceu a edição de 2026?

O Team Mahina, do Rio de Janeiro, venceu a 22ª edição com o tempo de 5h52min47s.

Um iniciante pode participar?

A Volta à Ilha não é uma atividade indicada para iniciantes. O atleta precisa possuir condicionamento, técnica, experiência em OC6, domínio de procedimentos de segurança e preparação específica para longa distância e mar aberto.

Comece sua preparação na canoa havaiana

Grandes provas são construídas muito antes da largada. Cada aula, cada correção técnica, cada treino em equipe e cada travessia contribuem para formar um remador mais preparado.

Na Bravus Va’a, você pode começar com segurança, aprender os fundamentos da canoa havaiana e evoluir progressivamente em ambientes diferentes. As atividades incluem aulas para iniciantes, treinamentos regulares, passeios turísticos, travessias, eventos e experiências de integração.

Para quem nunca remou, o primeiro passo é agendar uma aula experimental de canoa havaiana. Já os remadores que desejam evoluir podem conhecer as opções de treinamento nas bases da Barra da Tijuca e do Pontal do Recreio.

Entre em contato com a Bravus Va’a, conheça a canoa havaiana e comece a construir sua própria história dentro do va’a.


Fontes e referências