Barra da Tijuca: por que a lagoa é o melhor lugar para evoluir na canoa havaiana


Foto Ilustrativa
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Barra da Tijuca: por que a lagoa é o melhor lugar para evoluir na canoa havaiana

Bora falar a verdade, sem romantizar perrengue nem vender heroísmo barato. Remar no mar é incrível, ninguém discute isso. Mar é escola, mar é respeito, mar é onde a canoa nasceu. Mas mar também é barulho demais pra quem ainda está tentando ouvir a própria remada. Cada dia é um quebra-cabeça novo: onda cruzada balançando a canoa, vento empurrando o casco, ama querendo subir, risco real de huli e, no Pontal do Recreio, a arrebentação que transforma qualquer saída ou chegada num mini exame prático. Às vezes o desafio começa antes mesmo de sentar no banco, quando você tenta entrar na canoa e já toma um caldo, ou termina na saída, quando uma onda mal calculada resolve te lembrar quem manda. Soma tudo isso e, para um remador inexperiente, é informação demais acontecendo ao mesmo tempo. O cérebro entra em modo sobrevivência e a técnica, coitada, vai parar no banco de trás.

É aí que a Lagoa de Marapendi entra como um baita atalho inteligente, especialmente na Barra da Tijuca. Não, a lagoa não é o habitat natural da canoa havaiana, e ninguém aqui está tentando reescrever a história da Polinésia. Mas água lisa, calma e previsível é um presente para quem quer evoluir de verdade. Na lagoa, a chance de virar a canoa é mínima, o vento incomoda menos e o ambiente permite algo raro hoje em dia: foco. Foco na postura, no encaixe da pá, no tempo da remada, na sincronia, na eficiência do movimento. Sem precisar lutar contra o mar, o remador consegue sentir o que está fazendo certo e, principalmente, o que está fazendo errado.

Treinar na lagoa não é fugir do mar, é preparar o corpo e a cabeça para ele. É construir base, consolidar técnica e criar memória motora. Quando esse remador volta para o mar, ele não está mais brigando com a canoa, está usando a canoa. O mar continua sendo desafiador, claro, mas a técnica já está lá, firme, funcionando mesmo em condição ruim. E isso faz toda a diferença entre sobreviver a uma remada e realmente evoluir nela.

Quem quer melhorar tecnicamente precisa parar de achar que só o sofrimento ensina. A lagoa ensina, e ensina muito bem. Todo remador que leva a evolução a sério deveria investir boas remadas na Lagoa de Marapendi, na Barra da Tijuca. Não é demérito, é estratégia. Primeiro lapida a técnica na água calma, depois leva esse repertório para o mar. O resto é ego… e ego não rema canoa nenhuma.

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